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Home / Seu Exército / No Império

2 - O Exército no Império

TropasCisplatina1 Capítulo 2 - Índice:
2.1
- A HORA É ESSA (Antecedentes da Proclamação e guerra da Independência)
2.2 - NOVAMENTE NOS PAMPAS (Lutas contra os caudilhos platinos)
2.3 - NOBRES CAUSAS (O Exército após a Guerra do Paraguai - as questões militares)

 

 

 

 2.1 - A HORA É ESSA (Antecedentes da Proclamação e guerra da Independência)DPedroI

A transmigração da Família Real portuguesa para o Brasil em 1808, em face da invasão da Península Ibérica por legiões napoleônicas, mudou completamente a situação política do Brasil. A Colônia passa a abrigar o governo da metrópole. Essa circunstância, absolutamente sem precedentes na história moderna da humanidade, criou fato consumado de difícil reversão.

A estrutura administrativa concebida para viabilizar o funcionamento do governo português no Brasil, naturalmente incluiu o estamento militar. Nesse campo, a ação mais importante foi, sem dúvida, a criação de uma Escola de Formação de Oficiais, a Academia Real Militar, posta a funcionar em 23 de abril de 1811, precursora da atual Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN).

Após chegar ao Brasil, o Príncipe-Regente D. João interveio militarmente na Guiana Francesa, conquistando Caiena, em represália à invasão de sua pátria.

No sul, os luso-brasileiros, precavendo-se de perturbações da ordem que ameaçavam a fronteira do Rio Grande do Sul com a Banda Oriental (atual Uruguai), organizaram, em 1811, uma expedição pacificadora. Em 1816, em oposição à atitude hostil do caudilho Artigas, foi novamente invadido o território uruguaio, decorrendo daí sua posterior incorporação ao Reino Unido do Brasil, com o nome de Província Cisplatina. Concretizava-se, assim, velho sonho português, acalentado desde a fundação da Colônia do Sacramento.

7Set
Enquanto isso, na metrópole, ocorria a célebre Revolução Constitucionalista do Porto, de 1820, que trouxe como conseqüências o retorno do Rei D. João VI a Portugal, a permanência de seu primogênito, Príncipe D. Pedro, como Regente do Brasil e as pressões das Cortes para a recolonização do Brasil. O grito do Ipiranga - “Independência ou Morte - expresso pelo filho do Rei, nada mais representou do que o repúdio de um povo a tão despropositada intenção. Nas ações contestatórias que se seguiram, despontou para a história militar brasileira a figura de um jovem tenente: Luís Alves de Lima e Silva. Honrado com sua incorporação ao Batalhão do Imperador, por escolha de D. Pedro I, o Tenente Lima e Silva, filho do Brigadeiro e futuro regente Francisco de Lima e Silva, parte para a Bahia a fim de combater as tropas portuguesas que resistiam à independência. Lá, recebe seu batismo de fogo, fazendo-o de forma destacada como porta-bandeira de sua Unidade.
Caxias_e_MQuiteria
A oposição portuguesa à independência do Brasil, que ocorre com mais intensidade na Bahia, no Nordeste, no Pará e na Cisplatina, é superada em virtude da coragem e da dedicação do soldado brasileiro, combatendo, pela vez primeira, sob o manto do sagrado pavilhão auriverde da terra recém-soberana.

Quis o destino que a carreira militar do maior cabo-de-guerra brasileiro começasse junto com os primeiros passos soberanos da sua Pátria e que, a ela, desde o princípio, dedicasse o rastro luminoso de suas realizações.

O Príncipe-Regente D. Pedro conduziu o processo que culminou com a Independência do Brasil, tornado-se, portanto, credor do reconhecimento dos brasileiros de todas as gerações.

7 de setembro de 1822 - Independência do Brasil. Pelas mãos do nosso primeiro Imperador, a concretização de um sonho há muito acalentado.

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2.2 - NOVAMENTE NOS PAMPAS (Lutas contra os caudilhos platinos)

Com a fundação da Colônia do Sacramento, na margem norte do estuário do Prata, os portugueses manifestaram claramente sua intenção de usufruir das benesses das ricas planícies platinas e de atingir limites naturais, mais fáceis de defender. Evidentemente, os espanhóis, radicados na área desde meados do século XVI, não estavam dispostos a compartilhar, em condomínio, com seu vizinho ibérico, a soberania no Prata. Por isso, reagiram firmemente à pretensão portuguesa. Por força de tratados sucessivos, seria legada ao Brasil a região dos Sete Povos das Missões. Aparentemente, os espanhóis abriram mão de seu sonho na região do Prata. 

TropasCisplatina
Dez anos de ocupação portuguesa só fizeram agravar ressentimentos mútuos. O desembarque, em Agraciada, dos trinta e três patrícios do caudilho uruguaio Lavalleja, desencadeou o processo que iria culminar no enfrentamento, às margens do Rio Santa Maria, no Passo do Rosário, dos Exércitos do Império do Brasil e da República Argentina.

À Batalha do Passo do Rosário, de resultado militar indefinido, seguiu-se frágil período de paz, de efêmera duração. MalJoseAbreu

Assim, Brasil, Argentina, Paraguai e o futuro Uruguai herdaram, de Portugal e Espanha, suas desavenças. Por longos anos, entreveros sucessivos caracterizaram a região platina. A vinda da família real para o Brasil ensejou ocasião para a retomada das intenções expansionistas portuguesas, o que acabou redundando na incorporação, mais tarde, da Banda Oriental do Uruguai, com o nome de Província Cisplatina. Ocorre que esta já se encontrava colonizada pelos espanhóis, vinculada irreversivelmente aos países de origem hispânica, pela língua, pelas tradições e pelos costumes, o que dificilmente permitiria a concretização dessa incorporação. 

Nesses embates nos Pampas, notabilizaram-se chefes militares, como o Marechal José de Abreu, Barão do Cerro Largo, imolado no campo de batalha. Também despontaram guerreiros renomados, como o Capitão Emílio Luís Mallet e o Tenente Manuel Luís Osório, entre outros, que escreveram, à ponta de espada, páginas memoráveis da nossa História Militar.

Todavia, os ventos ameaçadores da guerra voltariam a soprar na região, junto com o Minuano, em meados do século XIX. O problema não residia propriamente na animosidade dos povos dos países do Prata em relação ao Brasil, mas nos caudilhos que teimavam em ressuscitar antigos ressentimentos, revigorados por delírios imperialistas.

BatalhaAvai
Rosas, da Argentina, pretendia reconstituir o antigo Vice-Reinado do Rio da Prata, à custa de território brasileiro. Ao seu ideal expansionista, aliou-se Oribe, do Uruguai. A aliança dos caudilhos platinos trazia perigo para as fronteiras brasileiras.

Tratava-se, agora, de garantir a integridade do território nacional, penosamente legado por nossos antepassados. À Nação restava convocar seu soldado maior, Caxias, já consagrado como pacificador e mantenedor da unidade nacional.

A expedição brasileira é rápida e eficiente. Oribe é deposto e Rosas, em face da derrota de seu exército na batalha de Monte Caseros, exila-se na Europa. A vitória é decisiva, mas não definitiva. Novos desafios estavam por vir. Novos ventos ameaçadores estavam por soprar.

Em 1864, outro ditador uruguaio, Aguirre, testa a disposição do Império de fazer prevalecer seus interesses na região. Restitui a nota diplomática brasileira que protestava contra invasões do território brasileiro. Em conseqüência, nova expedição punitiva é desencadeada.

Solano Lopes, ditador do Paraguai, entende a intervenção brasileira no Uruguai como ameaça à sua soberania. Vale-se da oportunidade para tentar romper a então asfixiante mediterraneidade de seu país, dependente da livre navegação dos rios platinos e sujeito às imposições portenhas para exportar seus produtos.

Elegendo equivocadamente o Brasil como seu principal inimigo, aprisiona o navio Marquês de Olinda, que conduzia o Governador de Mato Grosso para aquela província. Ato contínuo, determina a invasão do território brasileiro. Ao Sul, as tropas paraguaias atingem Uruguaiana. Ao Norte, na região do Pantanal, conquistam o Forte de Coimbra e a Colônia Militar de Dourados. Lá, imolou-se pela Pátria o bravo Tenente Antônio João Ribeiro, atual patrono do Quadro Auxiliar de Oficiais.

Foi grande o esforço para rechaçar o inimigo do território brasileiro. Em Mato Grosso, frustrada tentativa ofensiva redundaria na épica “Retirada da Laguna”, na qual os soldados brasileiros seriam flagelados pelo inimigo e pelas doenças. O acordo firmado por Brasil, Argentina e Uruguai redundou na assinatura do Tratado da Tríplice Aliança, esforço de guerra conjunto da Argentina, do Brasil e do Uruguai, para dobrar o ditador e não o nobre e bravo povo paraguaio.

A superioridade brasileira, conquistada nas águas do Paraná, representou o ponto de inflexão da campanha - o que a Marinha começara em Riachuelo, a 11 de junho de 1865, o Exército iria terminar em Tuiuti, a 24 de maio de 1866, maior batalha campal travada em continente sul-americano. Depois dela, a derrocada do ditador seria questão de tempo.

Não obstante a bravura anônima de oficiais e soldados que se batiam contra tropa aguerrida e corajosa, impõe-se ressaltar a participação na campanha dos chefes militares que hoje são patronos de Armas do Exército Brasileiro.

Como olvidar a determinação do Brigadeiro Antônio de Sampaio, ao persistir no combate, mesmo ferido três vezes? Ou de Osório, “O Legendário”, cuja coragem era reconhecida até pelo inimigo, arrastando pelo exemplo seus comandados à vitória? Ou de Vilagran Cabrita, imolando-se no cumprimento do dever no combate da ilha de Redenção? Ou de Mallet, à frente de sua Artilharia-Revólver, protegida por fosso que mandara cavar, bradando para seus comandados: - “Os primeiros são para o buraco. Por aqui eles não passam”? E de João Severiano da Fonseca, emprestando sua competência e dedicação para minorar a dor de doentes e feridos?

Comandou grande parte do esforço de guerra aliado, o Marechal Luís Alves de Lima e Silva. Do alto de seus 65 anos de idade, o Marquês de Caxias infundia em seus subordinados, mais pelo exemplo do que pelas palavras, constantes exteriorizações de seu valor militar, robustecido em muitas jornadas memoráveis. O grande cabo-de-guerra primava pela competência militar, dispensava tratamento bondoso aos subordinados e humanitário aos prisioneiros e, principalmente, exercia em sua plenitude, como líder, as atribuições de Comandante-em-Chefe, preocupando-se única e exclusivamente com o cumprimento de sua missão.

Seus feitos, de que são exemplos a construção da estrada do Chaco, desbordando importante posição inimiga, e a conquista da ponte de Itororó, são marcos de eficiência, coragem e valor, legados aos chefes militares brasileiros das futuras gerações.

Alguns dos Patronos do nosso Exército, Heróis na Guerra do Paraguai:

Patronos

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Na decisiva Batalha do Avaí, travada em 11 de dezembro de 1868, o 3º Corpo de Exército, sob o comando do Marechal Osório, cobriu-se de glórias.

No decorrer da Guerra do Paraguai, despontaram chefes militares que, mercê de feitos heroicos no campos de batalha, são hoje patronos das armas e serviços do Exército Brasileiro, servindo de paradigma às novas gerações.

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2.3 - NOBRES CAUSAS (O Exército após a Guerra do Paraguai - as questões militares)TCBejaminConstant

Os homens só se lembram de Deus e as nações só valorizam seus soldados, quando sentem a sobrevivência ameaçada. Passado o perigo, a maioria dos homens esquecem-se de Deus, e as nações, de seus soldados." Não aconteceu coisa diferente com o Exército Brasileiro, que retornou vitorioso da Guerra da Tríplice Aliança.

Alquebrados pela dureza dos combates, os veteranos eram desprezados nas ruas, sofrendo com a dolorosa ingratidão. Quanto à Instituição, assolada pela falta de verbas e desequipada, amargava incompreendida injustiça. Alguém se lembrou de empregá-la na condição de “capitão-do-mato”, para capturar e reconduzir escravos fugidos a seus donos. O firme protesto dos chefes militares, pela desfaçatez da atribuição de tão vil encargo a uma Força honrada e com extensa folha de serviços prestados à Pátria, justificou sobejamente seu não-cumprimento. Essa atitude constitui prova inconteste da identificação do Exército com o povo a que serve, jamais se deixando subordinar a interesses menores de facções e grupos de qualquer origem e natureza.

Políticos oportunistas faziam uso das tribunas a eles franqueadas pela Nação para enxova-lhar a honra das classes armadas e de suas instituições.

Nesse ínterim, vicejavam nos quartéis, como de resto em todo o País, idéias republicanas. Na Escola Militar, imbuído da tarefa de incutir nos jovens alunos o ideário positivista, destacava-se o Tenente-Coronel Benjamim Constant, emérito professor de matemática, que não perdia oportunidade de provar as vantagens do regime republicano.O engajamento do Exército na campanha abolicionista atraiu sobre si, ainda mais, o ódio de parcela da elite agrária, locupletada pela abominável prática escravagista, prática essa que levou Castro Alves, no memorável poema “Navio Negreiro”, a pedir a Colombo para “fechar a porta de seus mares”.

Nesse clima, surgiram as questões militares. Declarações, em defesa pública da honra, realizadas por um oficial, levou a proibir-se os militares de se manifestarem pela imprensa sobre assuntos políticos, contrariando costume vigente à época.

A transgressão desta norma pelo Tenente-Coronel Sena Madureira e sua conseqüente punição fizeram acorrer em sua defesa o Marechal Deodoro da Fonseca, prestigioso ex-combatente da Guerra do Paraguai. Sua lealdade a um subordinado e a defesa intransigente da dignidade do Exército custam-lhe o cargo e a carreira, mas aumentam-lhe o prestígio. Como conseqüência, assumiu a liderança da oposição ao governo e não ao Imperador.

Oficialidade
As circunstâncias iriam colocá-lo à frente das tropas que, na manhã de 15 de novembro de 1889, marcharam resolutas em direção ao Campo de Santana para inaugurar nova era para o Brasil. Assim nasceu a República.

A família imperial, tratada com a deferência que merecia, partiu para o exílio, com o mérito de ter legado à nação rol imenso de realizações.

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O Exército assumiu a responsabilidade pela articulação e pela eclosão do mo-vimento, respaldado pelo partido Republicano, fundado em 1870, com o Marechal Deodoro da Fonseca assumindo a chefia do Governo Provisório.

O Tenente Coronel Benjamin Constant Botelho de Magalhães, valeu-se da cátedra da Escola Militar para difundir o ideário positivista e republicano.

Em 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca proclamou a República.

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Fonte: Centro de Comunicação Social do Exército


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