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Home / Seu Exército / Na Formação da Nacionalidade

1 - O Exército na formação da nacionalidade brasileira

PrimeiraMissa Capítulo 1 - Índice:
1.1
- DEFENDER É PRECISO (Manutenção da terra descoberta)
1.2 - COMBATE AO INVASOR (Resistência às invasões estrangeiras)
1.3 - EM BUSCA DE LIMITES NATURAIS (Expansão territorial do Brasil)
1.4 - QUEM GUARDA TEM (Estabelecimento de fortificações)
1.5 - NO SUL, AS MAIORES AMEAÇAS DA ÉPOCA (Lutas contra os espanhóis na região platina)
1.6 - SONHOS DE LIBERDADE (Movimentos nativistas e de libertação colonial)

 

1.1 - DEFENDER É PRECISO (Manutenção da terra descoberta)

Em 8 de março de 1500, partia do Porto do Tejo, Portugal, frota de 10 naus e duas caravelas, comandadas pelo navegador Pedro Álvares Cabral.

Seu destino declarado - as Índias - encobria sua verdadeira missão: “descobrir” o Brasil.

Trinta anos depois do 22 de abril de 1500, iniciava-se a colonização do que já prenunciava ser um território rico, no qual “em se plantando tudo dá”. Urgia defendê-lo para que fosse legado íntegro às futuras gerações.

As primeiras povoações nasciam e prosperavam em torno da fortaleza, símbolo da disposição portuguesa de permanecer na colônia. As ações de defesa assumiam caráter prioritário. Nelas, todos - militares profissionais, colonos, índios e escravos - estavam envolvidos. PrimeiraMissa2

Os donatários, líderes políticos e militares, comandavam suas capitanias hereditárias, posteriormente subordinadas ao Governo-Geral, com sede em Salvador.

Nesse período, ocorreu a tentativa dos franceses de se fixarem no Brasil, inicialmente no Rio de Janeiro, e, depois, no Maranhão. 

Eficiente ação defensiva, conduzida por homens da estirpe de um Estácio de Sá, fundador da cidade do Rio de Janeiro, repeliu os invasores. Os louros da vitória repousaram, já nos primórdios da formação de nossa nacionalidade, na fronte guerreira do primeiro habitante, o índio, origem da coragem e da lealdade que, ainda hoje, caracterizam o soldado brasileiro. 

Dois anos depois de fundar, em 1 de março de 1565, a cidade do Rio de Janeiro, no local onde hoje está instalado o Centro de Capacitação Física do Exército, próximo ao Pão de Açúcar, morre o Capitão Estácio de Sá, confortado pelo Cacique Araribóia.

Brasil nasceu abençoado pela cruz e protegido pela espada.

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1.2 - COMBATE AO INVASOR (Resistência às invasões estrangeiras) 

Tão logo o descobrimento do Brasil foi revelado, aflorou a cobiça das nações excluídas do pacto de Tordesilhas, em relação à nova terra. 

Arvoravam-se governos, corsários a soldo de reis, empresas de espoliação, congregações religiosas e aventureiros em busca de um lugar ao sol na plácida franja litorânea brasileira. Guararapes2

A estimulá-los, a riqueza da terra: seus recursos de exploração, como o pau-brasil - matéria-prima de corante muito apreciado na Europa e inspiradora do nome do País - e a próspera agro-indústria açucareira, estabelecida no Nordeste do Brasil.

Da expedição francesa de Villegnon, na baía da Guanabara, à ação do corsário inglês Cavendish, todas as empreitadas foram repelidas pelo colonizador, com a ajuda de indígenas agrupados em rudimentar organização militar. Desde cedo, afigurava-se importante lutar de arcabuz e flecha nas mãos para defender a Colônia.

Entretanto, o principal desafio à nova terra e sua brava gente chegaria em 1624 com a invasão holandesa da Bahia, frustrada pela resistência obstinada oposta aos intrusos e liderada pelo bispo de Salvador, D. Marcos Teixeira.

Repelidos, os prepostos da Companhia das Índias Ocidentais, da Holanda, voltam à carga em 1630, agora com poderosa frota e apreciável contingente militar. O alvo é Pernambuco, pontilhado de engenhos produtores de acúcar, a mais valiosa especiaria da época.

Mesmo assim, os habitantes da terra resistem no arraial de Bom Jesus, em luta desigual. Vergam-se em 1632, após delação perpetrada por uma figura que, no Brasil, é sinônimo de traição: Domingos Fernandes Calabar.

O conquistador, esperto e diplomático, valeu-se de circunstâncias políticas especiais para consolidar e ampliar a conquista.

 

Personagens

Quinze anos haviam decorridos de ocupação, quando João Fernandes Vieira, em vibrante proclamação, na qual pela primeira vez aparece o vocábulo pátria, dá início ao resgate da “soberania” da gente da terra. Começa a Insurreição Pernambucana!

Páginas e páginas heroicas da história-pátria serão escritas pelos insurretos naquela guerra.

O desagravo é assumido por todas as classes e raças de gente, empolgando da casa grande à senzala.

Urdido o plano revolucionário, tratava-se de desgastar o inimigo por eficiente luta de emboscadas, dirigida pelo Sargento-Mor Antônio Dias Cardoso, atual patrono das nossas Forças Especiais.

EscravosTropas de negros, do patriota Henrique Dias, e de índios, do bravo Poti, rebatizado Felipe Camarão, agregam-se às dos luso-brasileiros de André Vidal de Negreiros e João Fernandes Vieira, para combater, como Davi, o poderoso Golias holandês.

O combate decisivo se trava nos arredores de Recife, em região de montes permeada por banhados: Guararapes.

O inimigo fora atraído para terreno que se apresentava favorável à habilidade militar dos brasileiros. A estes, sobravam coragem, determinação e amor à Pátria.

Transcorria o dia 19 de abril de 1648. Dois mil e quinhentos cidadãos-soldados luso-brasileiros derrotam cinco mil militares holandeses. Era a sonhada vitória decisiva.

Segue-se a segunda vitória em Guararapes. Um ano depois, outros combates e, finalmente, a capitulação do invasor na Campina do Taborda, em 1654.

A partir dessa memorável epopéia, não havia apenas homens reunidos em torno de um simples ideal de libertação, mas sim, as bases do Exército Nacional de uma Pátria que ver-se-ia confirmada a 7 de setembro de 1822.

O índio Filipe Camarão, o branco Vidal de Negreiros e o negro Henrique Dias lideravam o povo em armas na reação ao invasor holandês que ousava ocupar o Brasil.

Na região de Guararapes, em 19 de abril de 1648, nascia o Exército.

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1.3 - EM BUSCA DE LIMITES NATURAIS (Expansão territorial do Brasil)bandeirante

Como caranguejos, os colonizadores limitaram-se, no início, ao litoral, em torno das primeiras povoações: Salvador, ao Norte, e São Vicente, ao Sul. 

Dificultavam a penetração para o interior um obstáculo de natureza política - o meridiano de Tordesilhas (que separava portugueses, a Este, de espanhóis, a Oeste) - e, mais ao sul, a majestosa serra do Mar, coberta por florestas “eternas”. Entretanto, a separar na América esses vizinhos ibéricos, jazia imenso e inexplorado território à espera de uma oportunidade para ser palmilhado. Esta chegou com a morte do rei de Portugal, D. Sebastião, em 1578, em Alcácer Quebir, na Guerra contra os mouros e a conseqüente união das coroas lusa e espanhola, que tornou as terras da América pertencentes a um só rei e senhor. Desencadeou-se, a partir daí, extraordinária epopéia exploradora empreendida pelas Entradas e Bandeiras, resultando no alargamento da base física da colônia portuguesa. O caráter militar da atuação dessas expedições comprovou-se pela conquista de territórios e pela luta contra espanhóis, instalados em reduções jesuíticas. CapPedroTeixeira

Estimulados por notável visão estratégica, os portugueses buscaram fixar os limites da colônia em acidentes geográficos bem nítidos e o mais possível a oeste.

Nesse contexto, merece destaque a ação militar empreendida pelo Capitão Pedro Teixeira, na Amazônia. Em outubro de 1637, esse valoroso soldado português, reunindo força composta de 70 militares e 1.200 índios, embarcada em cerca de 50 canoas, subiu as calhas dos rios Amazonas-Solimões. Plantou marcos da ocupação portuguesa, legando aos brasileiros inesgotável fonte de riquezas, ainda a ser explorada na nossa Amazônia.

A expedição do Capitão Pedro Teixeira deixou Belém, em 1637, para atingir, um ano depois, Quito, no atual Equador. Por sua ação, a maior parte da Amazônia, hoje, é brasileira.

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1.4 - QUEM GUARDA TEM (Estabelecimento de fortificações) 

Para nossos experientes ancestrais portugueses, ocupar a terra implicava ter condições de defendê-la. Por isso, tão logo ancoravam suas embarcações em algum porto seguro ou chegavam a um ponto dominante no recôndito de nossos sertões, tratavam logo de aí fundar uma fortificação, artilhá-la e guarnecê-la.

Fortes

Em torno desses núcleos militares iam surgindo povoações que congregavam povo e soldados em um mesmo ideal, amalgamados pelo interesse comum. Importava a todos preservar o que tinha sido duramente conquistado.

 No imenso litoral desdobravam-se imponentes fortificações que, em diversas épocas da formação da nacionalidade, desempenharam papel fundamental na defesa da terra, como os Fortes do Mar e de São Felipe e São Tiago, que resistiram à invasão holandesa da Bahia, em 1624. Esses e muitos outros repeliram, com seus canhões protegidos por consistente amurada, a sanha invasora de incontáveis e indesejáveis intrusos.

No interior da Amazônia, nos pampas sulinos e nos confins dos sertões, à medida que avançava a marcha desbravadora dos bandeirantes, Fortesurgiam outras sentinelas de pedra a bradar: "- Esta terra tem dono!".

O Marquês de Pombal, influente ministro português, a partir de 1750, mandou construir e refazer várias fortificações, particularmente na Amazônia. Entre elas, a Fortaleza de São José de Macapá, origem da atual capital do Amapá. A partir dessa quadra de nossa história-pátria, o soldado, cidadão-em-armas, tudo subordinou, até mesmo a sobrevivência individual, às ações coletivas de defesa e manutenção do território, patrimônio que hoje usufruímos e que, por obrigação, temos o dever de defender.

PersonSebastião José de Carvalho e Melo, Conde de Oeiras e Marquês de Pombal: responsável pela reconstrução e pelo levantamento de novas fortificações para preservar as conquistas territoriais portuguesas.

Os fortes e fortificações como os de Jesus Maria José e São João da Bertioga são marcos de norte a sul da presença lusitana no litoral brasileiro.

 

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1.5 - NO SUL, AS MAIORES AMEAÇAS DA ÉPOCA (Lutas contra os espanhóis na região platina)RuinasSaoMiguel

A vasta e rica planície platina, irrigada pelos rios Paraná, Paraguai e Uruguai e extensa rede de afluentes, ensejava cenário grandioso para embates militares.

O campo aberto, pontilhado de capões, vegetação ciliar e coxilhas, era o habitat natural do gaúcho, derivado dos charruas, fusão de homem e cavalo em simbiose perfeita. Lá, desde o início, predominavam o galope rápido pelos pampas e o manejo hábil da lança e da espada.

As calhas dos rios apresentavam-se como anteparos perfeitos, a separar guerreiros de mesma índole. Portugal vislumbrava a ampliação dos limites da nova colônia, pela obtenção de fronteiras naturais.

Em 1680, em visionária ação estratégica, os portugueses fundaram, na margem norte do estuário do Prata, a Colônia do Sacramento, em oposição à próspera cidadela espanhola na Região: Buenos Aires.

Concomitantemente, intuíram que as reduções jesuíticas, estabelecidas na Região dos Sete Povos das Missões, por representarem enclave espanhol no lado oriental do rio Uruguai, destinavam-se a ser lusitanas.

FortStaCruzEm torno desse expressivo “pomo de discórdia” territorial, estabeleceu-se grave contencioso, herdado pelos países que surgiram da independência das colônias espanholas e portuguesa, fincadas no Prata.

Tratados sucessivos acordados entre os ibéricos pretenderam legar, para uma ou outra metrópole, a posse dessas cobiçadas regiões.

Fortificações proliferavam na área para garantir, “manu militari”, a soberania local. “Jesus, Maria, José”, português, e “Santa Tecla”, espanhol, são dois dos inúmeros fortes instalados nos Pampas. Sacramento sucumbiu pela dificuldade de apoio, ficando com os espanhóis. Quanto à região das Missões, fruto do empenho luso-brasileiro na guerra Guaranítica, abriga hoje prósperas cidades do Rio Grande do Sul.

As lutas no sul transcenderam o Brasil Colônia, gerando ressentimentos que se prolongaram quase à República.

Ao contemplar-se, hoje, o sul do Brasil, onde o quartel está presente na maioria das cidades, não há como deixar de reportar-se às lutas dos antepassados, cujo sangue generoso verteu para legarnos esses pagos que conformam a Pátria de todos nós brasileiros.

A fundação da Colônia do Sacramento, no ano 1680, materializou o interesse português ao procurar ancorar sua colônia em limites naturais, ao sul.

A extensão territorial do Brasil é devida à visão estratégica dos portugueses.

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1.6 - SONHOS DE LIBERDADE (Movimentos nativistas e de libertação colonial) VilaRica

Um latente sentimento de liberdade - denominado nativista - embeveceu os habitantes do Brasil, desde os primórdios do período colonial. Essas manifestações, muitas vezes de natureza militar, ficaram vinculadas à história da Força Terrestre brasileira, já que não havia como “convencer” a metrópole, senão pela força das armas, da necessidade de libertar a colônia.

Desde a tentativa de coroação, em 1640, de um rei - Amador Bueno - em São Paulo, que a gente da terra buscava desvincular-se da metrópole. De simples manifestações de desagrado localizadas, o sentimento nativista foi evoluindo até ganhar a condição de movimento de libertação colonial. Das primeiras, constituem exemplos a revolta dos irmãos Beckman, no Maranhão, em 1684; a guerra entre paulistas e intrusos, os emboabas, na região das minas, em 1709; e a guerra entre brasileiros e comerciantes portugueses, os mascates, em Recife e Olinda, entre 1709 e 1710.

RevoltaEscravoA revolta de Vila Rica, ocorrida na região mineradora em 1720, ao imolar o patriota Felipe dos Santos, lançou o germe que floresceria na mesma região, 70 anos depois. A independência das Treze Colônias Inglesas da América, ao Norte, constituiu para as metrópoles lusitana e espanhola perigoso precedente, que carecia ser contido. A estimular os ideais de libertação, contribuiu, ainda, o êxito da Revolução Francesa. A “Queda da Bastilha” colocou em xeque os regimes absolutistas europeus, mantenedores de um pacto que impunha o monopólio comercial e a clausura intelectual aos colonos.

Neste cenário, agravado pela insatisfação gerada pela cobrança extorsiva de impostos e pela impopularidade das autoridades metropolitanas, levantam-se personalidades de relevo na sociedade local, entre estas, um punhado de oficiais do Regimento dos Dragões das Minas. O mais entusiasmado de todos era um simples alferes, Joaquim José da Silva Xavier, que atendia pela alcunha de Tiradentes.

Traídos por Joaquim Silvério dos Reis, os Inconfidentes são presos e condenados ao Tiradentesdegredo ou à morte. O crime que eles cometeram foi o de idealizar uma Pátria livre e soberana e o de rascunhar algumas medidas de governo, como a instauração de uma República, emulada por um dístico: “Liberdade, ainda que tardia”. 

Findo o processo, decretadas as sentenças, as penas são comutadas para todos, menos para aquele que, em gesto de coragem, assumiu toda a responsabilidade pelo levante. Seu destino, a forca; seu corpo, esquartejado; sua descendência, maldita por várias gerações.

Em 1798, na Bahia, soldados juntam-se a alfaiates e à gente do povo para deflagrar a Conjuração Baiana, rápida e violentamente reprimida. Os líderes Lucas Dantas, Santos Lira, João de Deus e Luiz Gonzaga são condenados e enforcados.

Em 1817, Pernambuco é palco do espocar do derradeiro movimento de libertação colonial: a Revolução Pernambucana, cujo epílogo sangrento vai fazer detonar uma outra rebelião, a Confederação do Equador, já com a nação soberana.

O sonho de liberdade dos habitantes da terra começou com os movimentos nativistas.

No curso desses movimentos nativistas e de libertação colonial foi-se impondo a necessidade do recurso às armas para fazer prevalecer idéias, ideais e convicções, cristalizadas no espírito de luta da Força Terrestre do Brasil independente.

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Fonte: Centro de Comunicação Social do Exército


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